História


          O Centro de Tradições Gaúchas Tropeiros da Lealdade é o mais antigo e talvez a mais popular entidade tradicionalista de Cachoeira do Sul.
Das rodas de mate nos finais de tarde no antigo Hotel América (hoje Banco do Brasil), na Rua 7 de Setembro, surgiu a ideia de se fundar um CTG em Cachoeira do Sul, ainda no ano de 1955.
Todos os dias, ao entardecer, seu proprietário Arthur Iserhardt e o gerente da Imobiliária Quinta da Boa Vista, Solstício Pinto de Azeredo (de Lagoa Vermelha), reuniam alguns hóspedes, entre eles Maragato e outros admiradores da cultura gaúcha, para matear. Sempre ao som de um violão ou do bandônion do Maragato e de outros instrumentos.
Com o tempo, as rodas de mate foram reunindo mais participantes a cada dia. Com isso, as reuniões foram transferidas para a Praça José Bonifácio, no pergolado, pois já estavam atrapalhando o funcionamento do hotel.
Azeredo, então, teve a idéia de fundar um CTG.
 O lema, “A fibra de gaúcho para honra do Brasil”, e o logotipo foram apresentados por Azeredo.
O nome escolhido foi “CTG José Bonifácio”, uma justa homenagem à praça onde os amigos se encontravam para o mate.
Em setembro de 1955 já eram mais de 100 os tradicionalistas do grupo bonifaciano. Mais de 500 cavalarianos desfilaram naquele 20 de setembro. Passado o desfile, para que a ideia da fundação do CTG não caísse no esquecimento, foi agendado o primeiro baile. Em uma ramada montada no pátio da Rádio Cachoeira, aqueles gaúchos bonifacianos realizaram o primeiro baile.

Frase

 “O pioneiro CTG Tropeiros da Lealdade representa para Cachoeira do Sul o embrião do tradicionalismo cachoeirense”
Tradicionalista Maragato Melo


HISTÓRIAS DO TRADICIONALISMO

Os primeiros tempos de Tropeiros:
Lona e varejões - Cada grupo para o seu lado, o CTG Tropeiros da Lealdade cria a sua primeira sede provisória. Em uma casa que havia queimado na Rua Saldanha Marinho (defronte à Imobiliária Quinta da Boa Vista), se estabelece o Tropeiros. Alguns varejões de eucalipto e uma lona formavam a cobertura da entidade.

CTG do Buraco - A segunda sede dos Tropeiros, também provisória e na mesma rua, logo após o Colégio Roque Gonçalves, ficava em um terreno cedido gratuitamente ao CTG pelo engenheiro civil Nelson Aveline. Situava-se numa espécie de buraco na extremidade sul do mesmo imóvel, daí a origem do apelido depreciativo de “CTG do Buraco”, coisa escusada pelos sócios de então.

Zonel Garcia - Muito depois, assumiu a patronagem da entidade o tradicionalista Zonel Garcia, que apiedando-se cedeu quatro terrenos de sua propriedade ao CTG, no Bairro Soares, onde hoje se encontra estabelecida a entidade.

CTG surge das divergências dos primeiros tradicionalistas

Pelo menos uma vez por semana aqueles pioneiros reuniam-se em alguma residência, onde faziam jantares, sempre ao som da música gaúcha, quando as formalidades da criação do CTG eram debatidas. O clima, entretanto, não era de total harmonia. A cada semana, Azeredo aparecia com uma nova namorada nos jantares, o que desagradava os demais companheiros.
Descontentes com o comportamento de Azeredo, o restante do grupo, liderado pelo acadêmico Eliseu Gomes Torres (hoje desembargador do Tribunal de Justiça do Estado aposentado), começou a deixá-lo de fora das reuniões. Além disso, ao contrário dos outros, que usavam lenço vermelho, Azeredo usava lenço branco e também não era cachoeirense. Percebendo que estava sendo deixado de lado, Azeredo se adiantou aos demais e sozinho fundou um CTG, denominando-o CTG Tropeiros da Lealdade (lealdade à sua liderança), levando consigo o logotipo e o lema do CTG José Bonifácio, que ainda não haviam sido oficializados. O registro foi feito em 11 de agosto de 1956. Ninguém foi comunicado da criação. Passado quase um ano da fundação dos Tropeiros, em junho de 1957, o grupo de Torres decidiu oficializar o Bonifácio e acabou descobrindo que já existia um CTG em Cachoeira do Sul. Eles resolvem então criar um outro CTG.



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